Percurso incerto

A violência enraizada nos grandes centro urbanos é algo um tanto quanto comum às pessoas que transitam por entre as milhares de vias de uma grande metrópole. Todxs estão sujeitxs ao risco. A incerteza se instaura na vida de cada um. Será que hoje não ocorrerá nada no caminho de casa até a universidade? O medo, a angústia e o pavor se aliam, às vezes nem mesmo as pessoas sentem isso. A truculência se naturaliza na vida humana.

O relógio indica que já está na hora. 18h25. O costumeiro horário que Joanes, uma estudante de Geografia, sai de sua casa para ir até a faculdade que faz sua graduação, aliás uma grande conquista que deixou Dona Vera muito orgulhosa de sua filha. Joanes mora em um bairro periférico e o local que estuda fica a exatas 1 hora e 12 minutos de sua casa, de transporte coletivo.

Joanes é uma jovem determinada, sempre encarou os desafios que a vida lhe impôs de forma segura e confiante. Ter que percorrer caminhos perigosos, devido aos altos índices de violência desses locais, que estão no percurso até sua faculdade, faz parte de seu atual maior medo. O medo diário do incerto. Típico das cidades grandes.

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Torna-se comum os próprios moradores colocarem avisos sobre o perigo de assalto, como ocorreu em um bairro da Zona Sul de Recife. (Foto por Marlon Costa Lisboa – Reprodução: G1)

Ela sempre lê nos jornais as notícias publicadas de assassinatos e assaltos que ocorrem nas localidades que passa todos os dias. No início, isso a traumatizou muito, indagava-se: será que conseguiria suportar este receio do perigo todos os dias até se formar? Como muitos estudantes de classe baixa, Joanes não tem dinheiro para pagar um transporte mais seguro, necessita do transporte coletivo, que além de ser precário, também está sujeito à violência.

Entretanto, com o tempo, este medo se naturalizou. Não é que não se sente mais com medo, mas de certa forma, este receio se reduziu, acostumou-se à rotina do risco. A estudante sempre engajada em causas sociais, participa assiduamente de manifestações que buscam direitos às pessoas: maior segurança, transporte coletivo mais qualificado ou mesmo redução do valor da taxa a ser paga. Ela acredita na força social.

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Charge critica a questão da falta de preocupação dos governantes em relação aos problemas da violência urbana. (Imagem: Reprodução / Essas e Outras – UOL)

O problema que Joanes enfrenta não é só dela, mas sim de milhões de brasileiros. A violência urbana é uma problemática séria que deve ser repensada pelo Estado. Joanes quer terminar seu curso, ela quer viver. As pessoas querem viver. O percurso diário que pessoas como Joanes necessitam de fazer se torna incerto e perigoso na medida em que o próprio Estado não evidencia esses entraves e simplesmente não valoriza a vida humana ao não possibilita às pessoas, segurança ou mesmo um sensação de chegarem aos destinos diários, vivas.

 

Por Lucas Afonso de Souza

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