O grito do povo

Narrativa ficcional que aborda o ato realizado por milhares de pessoas contra o governo ilegítimo no dia 24 de maio de 2017, em Brasília – DF.

 

Depois de tudo o que o governo ilegítimo do presidente Michel Temer provocou no país, o grito do povo se torna inevitável em um momento tão crítico quanto o que estamos vivenciando no ano de 2017. No dia 24 de maio, milhares de pessoas foram à Brasília. Lutaram. Expressaram a força do grito do povo.

***

02 horas da manhã. Talvez seja o horário que esteja saindo para viajar, ou mesmo acordar para estudar para a prova do dia seguinte, mas não, é o horário que saímos de caravana a Brasília. Um dia muito importante. Um dia de tentativa. Tentar expressar a nossa indignação frente às atrocidades cometidas por um governo ilegítimo, um congresso corrupto e todo um sistema opressor.

Meu nome, Taís Lopes, tenho 19 anos e curso Ciências Sociais em BH. Indignação é o sentimento que me resume ao vivenciar tudo isso que o país está passando. Creio que a força estudantil, dos trabalhadores, da sociedade no geral, se bem articulada em prol da destituição dessa opressão estatal é um bom caminho para podermos amenizar toda essa situação corruptiva, que está destruindo, nós brasileiros, cada vez mais.

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Congresso Nacional em Brasília, no dia 24 de maio de 2017. Foto: Marianna Cartaxo / Mídia NINJA (Reprodução / Facebook – Mídia Ninja).

E ao ver passar as luzes das várias cidades que estamos percorrendo nesta caravana, a minha esperança cresce. Acredito na mobilização social, ela está intrinsecamente relacionada à minha rotina na universidade. O que estamos fazendo hoje é se mover, é ir atrás, é dizer o que somos, é gritar pelos nossos direitos, é mostrar a nossa força e que não somos objeto de governo ilegítimo.

Brasília se aproxima. 08h46 da manhã. Abro a janela do ônibus e a brisa que se adentra ao veículo veio como um renovar energias, já que meu corpo está bastante cansado do dia anterior, de muito trabalho, da madrugada no ônibus antigo que a universidade nos disponibilizou, cansado dessa palhaça que estão propondo e fazendo com todas e todos nós.

O que tenho a relatar de tudo que vive desde que chegamos até o momento em que de pouco a poucos nos reunimos no ônibus, em meio aos destroços espalhados pela cidade, é resultado de toda uma luta de pessoas que querem ter seus direitos assegurados, mas que por força maior, perdem o seu grito, perdem a resistência, perdem vidas. A mobilização da polícia é um ataque totalmente opressor e desrespeitoso para com as pessoas ali presentes.

Em minhas memórias, agora, ao ver as luzes das cidades que percorremos no caminho de volta a BH, tristes, fortes e quentes lembranças surgem. Os fogos, as armas, a violência ressurgiram junto com os lapsos de luz que apareciam na janela do ônibus. Ao fechar os olhos, renovo minhas esperanças e energias para que eu nunca possa desistir dessa luta, que é de todxs nós.

 

Foto da capa do post: Marianna Cartaxo / Mídia NINJA (Reprodução / Facebook Mídia Ninja).

 

Por Lucas Afonso de Souza.

 

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