Repensar – O último dia

Lembro-me daquele dia, para ser mais exata, da tarde de 26 de abril de 2002, onde tudo iria se transformar em cinzas, mas tão pouco aguardávamos ou estávamos preparados para tal catástrofe.

Estava a ler um bom livro quando tudo ocorreu, questionei-me rapidamente: será que estou tão deslumbrado pela história e seus fatos que me pego a achar que estou vivendo nela? Mas não, era a vida e o mundo acabando diante de meus olhos, e eu nada pudera fazer, até porque nunca levei a sério toda aquela conversa fiada, de que o mundo acabaria de modo banal, sempre fui convicta que isso era coisa da literatura.

Não me restava tempo para pensar, tinha em mente apenas os frescos capítulos que tinha acabado de ler e toda uma inquietação e convicção de que morreria e que esta teria sido a minha última leitura. Mas tive a certeza que para onde os destroços de Copacabana me levassem, o livro iria agarrado sobre meus peitos.

E com ele abraçado e de olhos fechados, para não ver mais tanta fatalidade, como reflexo me veio à frase que tinha lido poucos antes do mundo desabar sobre minha cabeça: o mundo muitas vezes nos molda, mas, com a força do pensamento e força de vontade podemos muda-lo.

Seria eu muito louca de colocar em prática os ensinamentos de um livro de literatura? Se sim ou se não, ninguém estaria vivo para presenciar tal ato. E assim o fiz, coloquei em meu pensamento, que alguém teria de sobreviver para reconstruir o mundo e que este, seria eu.

Abri os olhos depois de uma hora (aproximadamente) e já não escutava barulho ou gritos por socorro. Sim! Tudo teria se acabado, e eu e meu livro éramos os únicos sobreviventes de uma catástrofe onde a literatura foi capaz de salvar.

Texto de Thamiris Saraiva, graduanda em Direito pela Faculdade Raízes de Anápolis.

O texto acima traz uma pequena narrativa poética sobre como seria o último dia de um leitor. Percebe-se nuances da literatura presente neste momento tão crucial. A leitura e as possibilidades que a literatura possui imersas em um contexto de fim dos tempos. Através das palavras da narradora é possível que o leitor do texto sinta as emoções vivenciadas por quem narra e, consequentemente, pensar sobre o que faria e o que pensaria se estivesse na mesma situação.

Ao ler narrativas como essa, podemos refletir sobre a representação do ator de ler para quem leva isso como uma paixão ou o hobby favorito. A leitura nos traz novas ideias, pensamentos, entendimentos e perspectivas, seja de um texto literário a um texto científico, por meio do ler nos empoderamos da nossa consciência e podemos imaginar, conhecer, aprender ou simplesmente se divertir.

 

Por Lucas Afonso de Souza.

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