Era das tecnologias digitais

Ao longo da história ocorreram várias revoluções tecnológicas que possibilitaram inovações e novos modos de sanar as necessidades humanas. Mas, uma nova revolução gradualmente se expande por todos os espaços e por diferentes culturas, ela se diferencia das demais por ser imersa no sentido de globalização, de formação de redes e por buscar redimensionar o tempo e o espaço.

Na era, já reconhecida como informacional, o surgimento de novas mídias e o aperfeiçoamento das mídias já existentes, tais como a TV e o rádio, é fator decisivo no desenvolvimento de novos parâmetros para as vivências na contemporaneidade. Têm-se como principais características desta fase: a forma como as tecnologias passam a determinar a maneira de se viver da mulher e do homem contemporâneos; o extenso tráfego de informações que percorrem variadas espacialidades e o poder de influência dessas informações na formação dos indivíduos; e, a virtualização das relações e ações humanas que passam a ser vinculadas a esse universo digital que é, sem sombra de dúvidas, intrínseco aos seres humanos atualmente.

O sistema capitalista se naturaliza nesta perspectiva tecnológica e com isso, insere sua principal ideologia, a mercadológica, nas concepções dessas tecnologias. A partir disso, uma questão muito importante de ser refletida é levantada: a forma como o exagerado número de informações, sejam textuais, imagéticas ou gráficas passam a compor o imaginário social e como elas se relacionam à essência capitalista, que é oriunda da ideologia de compra e venda. Questiona-se: estaria a capacidade de reflexão e percepção crítica do ser humano à mercê de um universo tecnológico mercantil?

Os novos modelos de mídias possibilitam inúmeras formas de interação entre o ser humano e o meio digital. Com essa nova perspectiva de vivência em uma sociedade globalizada e informatizada, áreas como o jornalismo necessitam experienciar essas novas tecnologias de comunicação em prol de novas dinâmicas nos processos comunicacionais. Os novos meios e tecnologias de informação ditam diversas alternativas e ações que se caracterizam pela alta velocidade, poder de interatividade e dinamicidade, característicos da era digital.

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Diferentes dispositivos eletrônicos compõem o rol de tecnologias existentes atualmente que aceleram, cada vez mais, a circulação de informação. (Imagem: Reprodução / Pixabay)

Uma noção de crise da visibilidade e da significação é tema central de algumas discussões que fazem uma reflexão acerca de tudo que a humanidade vive. As informações circulantes na rede provocam um efeito de exagero e ausência de relevância, tudo se torna muito, repetitivo e sem sentido. Por meio desse paradigma, a própria significação do que circula em rede entra em colapso, as informações passam a ser elementos supérfluos, marcados pelo empobrecimento de sentido em seu conteúdo.

As tecnologias de informação e comunicação (TICs) são instrumentos que mediam as relações humanas e estão intensamente presentes no dia a dia das pessoas. A mídia, em seus diferentes meios, é vista como um instrumento promotor de visões de mundo e de significações que culminam na definição da forma de se pensar dos seus consumidores.

Ora, se por meio do consumo desses bens simbólicos e imateriais, que nada mais são do que as informações, é possível que haja uma modelação da forma de pensamento, facilita-se, então, o direcionamento de escolhas e atitudes individuais consoante às visões dos produtos midiáticos. A crítica se fundamenta na qualidade do conteúdo, refuta-se a forma como a reprodução das informações determinam certa superficialidade nos conteúdos midiáticos, que destinam mais a um consumo imediatista do que reflexivo.

A educação e os próprios profissionais da comunicação podem ser agentes fundamentais na promoção de práticas questionadoras da forma como se dá a interferência desses meios midiáticos na vida das pessoas. Veja bem, o problema não está no desenvolvimento de novas tecnologias de informação e comunicação, bem como nos aspectos que definem esta era informacional, mas sim na possibilidade da apropriação do conhecimento, dos saberes, e sobretudo, da essência humana.

 

Por Lucas Afonso de Souza

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